Serão os smartwatches precisos na medição do gasto energético?

Os desenvolvimentos tecnológicos têm andado de mão dada com a área da saúde e fitness, catapultados pelo interesse das pessoas em melhorar objetivos específicos como a saúde, bem-estar ou performance, através da aquisição de aparelhos que permitam auxiliar na implementação e modificação de comportamentos.


Um dos aparelhos que tem visto a sua popularidade crescer é o smartwatch. Torna-se difícil não vermos alguém a treinar ao nosso lado sem um no pulso ou a falar das calorias que gastou durante a sua sessão de treino.


A literatura diz-nos que estes apresentam uma elevada validade na avaliação de atividades físicas repetitivas (ex: andar/correr), algo que já não se verifica em atividades físicas onde os movimentos são mais variáveis(1–3). Além disto, são poucos os estudos que avaliaram a validade destes aparelhos no cálculo do gasto energético, e por exemplo, no cálculo da frequência cardíaca.


Zachary et al(4), avaliou a validade, o erro de medição e a precisão de quatro smartwatches relativamente ao gasto energético, frequência cardíaca média e ao pico da mesma, enquanto os participantes do seu estudo faziam 20 minutos de boxing numa nitendo wii. Apple Watch, TomTom Sport Watch, Fitbit Surge e Microsoft Band foram os aparelhos testados, sendo os seus resultados comparados a um ActiGrapg GT3X (um monitor de atividade usado em investigação). No cálculo do gasto energético, os valores obtidos foram ActiGrapg GT3X (118,2), Apple Watch (131,5), TomTom Sport Watch (170,4), Fitbit Surge (164,6) e Microsoft Band (160,2), verificando-se uma sobrestimação entre os 11,3-44,2%. O que indica uma fraca validade para o cálculo do gasto energético, em comparação a uma validade moderada para a média e pico da frequência cardíaca.


Onde é que reside o problema dos smatwaches? O leitor lembra-se quando a Diretora-Geral de saúde dizia que as máscaras podiam dar uma falsa sensação de segurança? Aqui podemos dizer que estes aparelhos podem dar uma falsa sensação de controlo. Vamos supor que o leitor tem como objetivo a perda de peso, o seu aparelho diz-lhe que apresenta um gasto calórico diário de 2500kcal, e decide pôr em prática um défice calórico de 250kcal, dando assim 2250kcal/dia. Contudo, tendo em conta a sobrestimação de 11%, o seu verdadeiro gasto energético diário é 2225kcal/dia, ou seja, nunca esteve em défice calórico.


Em nenhum momento, neste artigo, digo que se deve livrar do seu smartwatch, para algumas pessoas ver o gasto calórico após o exercício pode ser um fator de motivação que as leve a aumentar a sua intensidade durante o exercício. Apenas sugiro que tenha em consideração a sobrestimação, e não vá a correr comer um chocolate porque o aparelho lhe diz que gastou 400kcal.



1. Tully MA, McBride C, Heron L, Hunter RF. The validation of Fitbit ZipTM physical activity monitor as a measure of free-living physical activity. BMC Res Notes. 2014;7(1):1–5.


2. Lee JM, Kim Y, Welk GJ. Validity of consumer-based physical activity monitors. Med Sci Sports Exerc. 2014;46(9):1840–8.


3. Ferguson T, Rowlands A V., Olds T, Maher C. The validity of consumer-level, activity monitors in healthy adults worn in free-living conditions: A cross-sectional study. Int J


Behav Nutr Phys Act [Internet]. 2015;12(1):1–9. Available from: ???


4. Pope ZC, Lee JE, Zeng N, Gao Z. Validation of four smartwatches in energy expenditure and heart rate assessment during exergaming. Games Health J. 2019;8(3):205–12.



Por: André Carvalhinho: Nutricionista do clube de saúde Krush it by Kalorias, membro efetivo da Ordem dos nutricionistas nº4562N

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