Probióticos: vamos desmistificar

Atualmente ainda se encontra bastante enraizada a ideia de que as bactérias são invariavelmente prejudiciais à saúde humana. Contudo, o conhecimento de base científica que existe à data de hoje, já nos permite destacar alguns destes microrganismos como detentores de propriedades benéficas ao nível do funcionamento do organismo humano.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os probióticos definem-se como “microrganismos vivos estritamente selecionados que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício para a saúde.”(Hill et al., 2014)


A microbiota intestinal, comumente designada de “flora intestinal”, inclui diversas bactérias que desempenham diferentes funções essenciais à promoção da saúde humana (Azad et al., 2018) . Produtos com propriedades probióticas, que podem consistir em alimentos (como é o caso do iogurte e dos alimentos fermentados) ou em suplementos alimentares (na forma de cápsulas, saquetas de pó ou na forma líquida), incluem bactérias vivas na sua composição com a capacidade produzir uma variedade de efeitos no corpo humano. (Homayoni Rad et al., 2012) Estes produtos podem contribuir para que a comunidade de microorganismos que compõem a microbiota intestinal se mantenha saudável e em equilíbrio, podem ajudar a que esta retome uma condição saudável após existir um desequilíbrio na sua composição, podem produzir substâncias específicas desejáveis ao bom funcionamento do organismo, bem como podem influenciar a resposta imunitária (Butel, 2014). Muitos dos microrganismos que se encontram presentes nos produtos com propriedades probióticas são iguais ou semelhantes aos microrganismos que habitam naturalmente no nosso corpo, sendo que as bactérias mais comuns pertencem a grupos designados de Lactobacillus e Bifidobacterium.


Resultados obtidos em diversos estudos clínicos destacam o efeito positivo dos probióticos em casos de doenças gastrointestinais (doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável, infeção por Helicobacter e diarreia) e em casos de doenças alérgicas, como a dermatite atópica. Adicionalmente, os efeitos benéficos destes microorganismos já foram também reportados em casos de obesidade, síndrome de resistência à insulina e diabetes tipo II (Markowiak et al., 2017).


Uma vez que diferentes estirpes de probióticos exercem os mais variados efeitos no organismo humano, existe a necessidade de adequar a sua utilização a cada situação e a cada individuo de uma forma específica. Neste sentido, procurar um profissional de saúde qualificado é essencial para que possa ser retirado o melhor partido destes produtos.


 

Bibliografia


Azad, M. A. K., Sarker, M., Li, T., & Yin, J. (2018). Probiotic Species in the Modulation of Gut Microbiota: An Overview. BioMed Research International, 2018, 9478630. doi: 10.1155/2018/9478630


Butel, M. J. (2014). Probiotics, gut microbiota and health. Medecine et Maladies Infectieuses, 44(1), 1–8. doi: 10.1016/j.medmal.2013.10.002


Hill, C., Guarner, F., Reid, G., Gibson, G. R., Merenstein, D. J., Pot, B., Morelli, L., Canani, R. B., Flint, H. J., Salminen, S., Calder, P. C., & Sanders, M. E. (2014). The international scientific association for probiotics and prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology, 11(8), 506–514. doi: 10.1038/nrgastro.2014.66


Homayoni Rad, A., Mehrabany, E. V., Alipoor, B., Mehrabany, L. V., & Javadi, M. (2012). Do probiotics act more efficiently in foods than in supplements? Nutrition, 28(7–8), 733–736. doi: 10.1016/j.nut.2012.01.012


Markowiak, P., & Sli˙, K. (2017). Effects of Probiotics, Prebiotics, and Synbiotics on Human Health. Nutrients, 9, 1021. doi: 10.3390/nu9091021


 

Por: Margarida Ferro: Nutricionista do clube de saúde Kalorias Telheiras, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas nº4566N.

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