Atletas Jovens e adultos - quais as diferenças?

O jovem atleta apresenta necessidades nutricionais exclusivas, uma vez que possui diferenças de composição corporal e fisiológicas, comparativamente a atletas adultos(1,2).


O consumo energético para os atletas jovens deve focar-se principalmente em assegurar o desenvolvimento e maturação, mas também estimular as adaptações ao treino, otimizar a recuperação e melhorar a performance desportiva. As exigências nutricionais vão depender do estadio pubertário, perfil antropométrico e nível de atividade física (frequência, intensidade, tipo)(3–7).


Entre as diferenças compreendem-se, por exemplo, as necessidades em macronutrientes, que devem ser prescritas relativamente ao peso corporal, indo ao encontro da variabilidade individual. Isto porque, embora a massa gorda possa não mudar significativamente durante o desenvolvimento, existe um aumento do peso corporal devido ao aumento da massa isenta de gordura(4,8).


Adicionalmente, ocorre um custo energético de movimento por peso corporal maior, relativamente ao atleta adulto (quanto mais novo o atleta, maior o gasto) devido a uma frequência de passada mais rápida e/ou por uma maior contração dos músculos antagonistas da perna. Isto significa que, enquanto jovens, são metabolicamente menos eficientes(9,10).


Para além disto, a taxa de metabolismo aeróbio é maior nos atletas jovens. Eles dependem da gordura como substrato energético, resultado das suas menores reservas endógenas de glicogénio (particularmente os que se encontram no estadio pré-pubertário) e de uma imaturidade dos complexos enzimáticos glicolíticos(11,12). Isto implica uma menor necessidade de hidratos de carbono, favorecendo a utilização de gordura. Neste sentido, os protocolos de carb loading tipicamente utilizados para atletas adultos antes da competição não são propriamente vantajosos neste caso(7). Já a taxa de oxidação de hidratos de carbono exógenos é maior (com exceção do sexo feminino). Deste modo, pode ser particularmente interessante o consumo de hidratos de carbono durante a prova, principalmente em modalidades com intensidade moderada a elavada(13).


Relativamente à hidratação, os jovens apresentam uma regulação da temperatura menos eficiente, visto que têm uma grande área de superfície face à massa corporal e uma taxa de transpiração inferior ao adulto, o que contribui para a diminuição do risco de hipohidratação e hipernatremia. Especial atenção para modalidades outdoor, onde o risco de hipertremia é maior(4,14).


Já no que diz respeito à suplementação, sabe-se que o nivel de exigência a que os atletas estão sujeitos predispõe para o uso de suplementos alimentares e/ou ergogénicos. Os suplementos alimentares devem ser recomendados, independentemente do estadio pubertário, quando existem carências nutricionais que não conseguem ser suprimidas através da implementação de hábitos alimentares saudáveis(15,16). Já os suplementos ergogénicos estão contra-indicados em estádios pré e pubertários, sendo que a sua utilização em estádios pós-pubertários deve ser criteriosa, devendo ser considerado, por exemplo, a carga de treino e a escala de Tanner (que avalia os estádios pubertários através do desenvolvimento físico)(17,18). É também imprescindível que o uso de suplementos ergogénicos nesta fase seja supervisionada por um adulto.


 

Bibliografia


1. Smith JW, Holmes ME, McAllister MJ. Nutritional Considerations for Performance in Young Athletes. Journal of Sports Medicine. 2015;2015:1-13. doi:10.1155/2015/734649


2. Desbrow B, Tarnopolsky M, Burd NA, Moore DR, Elliott-Sale KJ. Nutrition for special populations: Young, female, and masters athletes. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2019;29(2):220-227. doi:10.1123/ijsnem.2018-0269


3. Hannon MP, Close GL, Morton JP. Energy and Macronutrient Considerations for Young Athletes. http://journals.lww.com/nsca-scj


4. Desbrow B, McCormack J, Burke LM, et al. Sports dietitians australia position statement: Sports nutrition for the adolescent athlete. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2014;24(5):570-584. doi:10.1123/ijsnem.2014-0031


5. de Almeida-Neto PF, de Matos DG, Pinto VCM, et al. Can the neuromuscular performance of young athletes be influenced by hormone levels and different stages of puberty? International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020;17(16):1-16. doi:10.3390/ijerph17165637


6. Malina RM, Geithner CA. Body Composition of Young Athletes. American Journal of Lifestyle Medicine. 2011;5(3):262-278. doi:10.1177/1559827610392493


7. Bergeron MF, Mountjoy M, Armstrong N, et al. International Olympic Committee consensus statement on youth athletic development. British Journal of Sports Medicine. 2015;49(13):843-851. doi:10.1136/bjsports-2015-094962


8. Hannon MP, Carney DJ, Floyd S, et al. Cross-sectional comparison of body composition and resting metabolic rate in Premier League academy soccer players: Implications for growth and maturation. Journal of Sports Sciences. 2020;38(11-12):1326-1334. doi:10.1080/02640414.2020.1717286


9. Westerterp KR. Physical activity and physical activity induced energy expenditure in humans: Measurement, determinants, and effects. Frontiers in Physiology. 2013;4 APR. doi:10.3389/fphys.2013.00090


10. Heydenreich J, Kayser B, Schutz Y, Melzer K. Total Energy Expenditure, Energy Intake, and Body Composition in Endurance Athletes Across the Training Season: A Systematic Review. Sports Medicine - Open. 2017;3(1). doi:10.1186/s40798-017-0076-1


11. Jeukendrup A, Cronin L. Chapter 3 Armstrong N, McManus AM (Eds): The Elite Young Athlete. Med Sport Sci Nutrition and Elite Young Athletes. Vol 56.; 2011.


12. Montfort-Steiger V, Williams CA. Carbohydrate Intake Considerations for Young Athletes. Vol 6.; 2007. http://www.jssm.org


13. Dubé JJ, Broskey NT, Despines AA, et al. Muscle Characteristics and Infstrate Energetics in Lifelong Endurance Athletes. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2016;48(3):472-480. doi:10.1249/MSS.0000000000000789


14. Falk B, Dotan R. Children’s thermoregulation during exercise in the heat - A revisit. In: Applied Physiology, Nutrition and Metabolism. Vol 33. ; 2008:420-427. doi:10.1139/H07-185


15. Atashak S, Sharafi H, Azarbayjani MA, Stannard SR, Goli MA, Haghighi MM. EFFECT OF OMEGA-3 SUPPLEMENTATION ON THE BLOOD LEVELS OF OXIDATIVE STRESS, MUSCLE DAMAGE AND INFLAMMATION MARKERS AFTER ACUTE RESISTANCE EXERCISE IN YOUNG ATHLETES. Vol 45.; 2013.


16. Soliman A, de Sanctis V, Elalaily R, Bedair S, Kassem I. Vitamin D deficiency in adolescents. Indian Journal of Endocrinology and Metabolism. 2014;18:S9-S16. doi:10.4103/2230-8210.145043


17. Jagim AR, Stecker RA, Harty PS, Erickson JL, Kerksick CM. Safety of Creatine Supplementation in Active Adolescents and Youth: A Brief Review. Frontiers in Nutrition. 2018;5. doi:10.3389/fnut.2018.00115


18. Aepli A, Kurth S, Tesler N, Jenni O, Huber R. Caffeine Consuming Children and Adolescents Show Altered Sleep Behavior and Deep Sleep. Brain Sciences. 2015;5(4):441-455. doi:10.3390/brainsci5040441


 

Por: Alice Dias: Nutricionista do Clube de Saúde Kalorias Évora, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas nº4413N

13 visualizações

Posts recentes

Ver tudo